NEM SEMPRE OS OPOSTOS, SEMPRE OS SEMELHANTES
Nem sempre os opostos,
Sempre os semelhantes
E é justamente aí que muitos relacionamentos começam a se desgastar.
Não é preciso que duas pessoas sejam iguais em tudo. Afinal, cada ser humano carrega sua própria história, seus gostos e sua maneira de enxergar o mundo. Mas existe um alicerce que precisa ser compartilhado: os valores.
Quando os princípios caminham em direções opostas, alguém sempre acabará abrindo mão da própria consciência para manter a relação viva. E esse preço costuma ser alto.
Conheci uma jovem chamada Helena.
Tinha apenas vinte e dois anos e um futuro promissor pela frente. Trabalhava com dedicação, sonhava em conquistar sua independência financeira e acreditava que tudo na vida tinha seu tempo. Namorava Leonardo, um rapaz gentil, divertido e respeitoso, mas que enxergava a vida por uma perspectiva diferente da dela. Enquanto Helena havia crescido em uma família religiosa, Leonardo não via sentido na fé.
Essa diferença nunca pareceu importante. Pelo menos não até o dia em que Helena descobriu que estava grávida.
O susto veio acompanhado do medo. Medo de interromper os planos, de perder a promoção tão desejada, de deixar de ser dona do próprio futuro. Procurou Leonardo em busca de apoio, e ele respondeu da maneira mais simples que encontrou: disse que a decisão era dela e que estaria ao seu lado, qualquer que fosse sua escolha.
Helena escolheu interromper a gestação.
Naquele momento, acreditou que estava resolvendo um problema. Convenceu a si mesma de que tudo voltaria ao normal assim que o procedimento terminasse.
Mas algumas escolhas encerram um capítulo e inauguram outro.
Os dias passaram. Ela conquistou a promoção, saiu da casa dos pais, alcançou objetivos que durante anos pareciam distantes. Ainda assim, algo permanecia vazio. O silêncio da noite era interrompido por pesadelos constantes. O trabalho ocupava suas horas, mas não preenchia sua alma. Leonardo, incapaz de compreender a transformação que acontecia diante de seus olhos, afastou-se. Pouco tempo depois, o relacionamento terminou.
Foi então que Helena conheceu Carlos.
Ele não era perfeito, nem dizia ser. Apenas carregava uma serenidade difícil de explicar. Era um homem de fé que acreditava no perdão e na possibilidade de recomeçar. Em vez de julgá-la, ouviu sua história inteira. Quando Helena reuniu coragem para contar sobre o aborto, encontrou alguém que falou com firmeza, mas também com compaixão.
Carlos não tentou apagar o passado. Também não fingiu que ele não existia. Apenas mostrou que reconhecer um erro é diferente de viver aprisionado por ele.
Naquele dia, Helena compreendeu que algumas feridas não desaparecem quando fingimos que nunca existiram. Elas começam a cicatrizar quando temos coragem de olhá-las de frente.
Talvez essa seja uma das maiores lições sobre os relacionamentos.
Não basta encontrar alguém que nos faça companhia. É preciso encontrar alguém que nos ajude a crescer, que nos confronte quando estivermos perdidos e que caminhe conosco sem abandonar os próprios princípios.
O amor não existe para validar todas as nossas escolhas. Muitas vezes, ele existe justamente para nos tornar pessoas melhores.
Por isso, antes de procurar alguém que apenas concorde com você, procure alguém cujos valores dialoguem com os seus. A aparência muda. As emoções oscilam. O tempo transforma quase tudo.
Os princípios, porém, permanecem.
E são eles que sustentam um relacionamento quando a paixão já não é suficiente.
Talvez seja por isso que eu já não acredite que os opostos se atraem por muito tempo. Acredito, sim, que permanecem juntos aqueles que compartilham a mesma direção, ainda que caminhem em passos diferentes.
No fim das contas, amar também é escolher, todos os dias, seguir pelo mesmo caminho.
Feito por Lucina Carmo
Revisado por ChatGPT

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