E SE NÃO HOUVESSEM MAIS GUERRAS?

Perguntei à inteligência artificial quantas guerras existem atualmente no mundo, e a resposta foi muito além do que eu imaginava — e também do que costumamos ouvir na mídia. Enquanto os noticiários falam de poucos conflitos, a realidade é muito maior: existem mais de cem guerras e confrontos ativos espalhados pelo planeta.

Disputas territoriais. Poder. Dinheiro. Religião. Ódio. Controle.

Meus professores diziam que estudar o passado era necessário para que não repetíssemos os mesmos erros. Ainda assim, aqui estamos nós, repetindo-os todos os dias.

Às vezes em grandes proporções.
Às vezes dentro da própria casa.

Então comecei a me perguntar:

E se, de repente, não houvesse mais guerras?

E se o mundo acordasse diferente?

Imagine abrir os olhos em uma manhã comum e descobrir que todas as pessoas foram tomadas pela empatia. Não aquela empatia bonita apenas nas palavras, mas a verdadeira — a que faz alguém enxergar a dor do outro como se fosse sua.

Um mundo sem violência.
Sem medo.
Sem pessoas morrendo por causa da raiva.

Talvez ainda existissem doenças, dificuldades e tristezas, porque viver também é enfrentar desafios. Mas haveria respeito. Compaixão. Cuidado.

Sem guerras, os países cresceriam.
E quando falamos de países, falamos de pessoas.

Milhões delas.

Quantas vidas poderiam florescer sem medo constante?

Porque ninguém evolui sobrevivendo o tempo inteiro.

O amor talvez fosse a única arma necessária.

E amor não é fraqueza.

Amor é coragem.

Foi pensando nisso que imaginei a história de Luara.


Luara acordou cansada.

Não era apenas o cansaço do corpo, mas da alma.

Cansada do trabalho.
Da rotina.
Da violência gratuita do dia a dia.

Ela se levantou devagar, espreguiçando o corpo enquanto tentava reunir forças para mais uma manhã. Caminhou até o banheiro, escovou os dentes mecanicamente e entrou no chuveiro ainda perdida nos próprios pensamentos.

Já passava das cinco e meia quando terminou de se arrumar.

— Ótimo... vou perder o ônibus — murmurou.

E perdeu.

Precisou chamar um Uber às pressas, mesmo sabendo que aquele dinheiro faria falta no fim da semana. No meio do trajeto, porém, o motorista se envolveu em um acidente com um motociclista.

Corrida cancelada.

Luara terminou o caminho a pé, sentindo a irritação crescer dentro dela.

— O que mais pode dar errado hoje? — reclamou sozinha.

Quando chegou ao trabalho, já estava atrasada.

Sua chefe a recebeu com o semblante duro de sempre.

— Chegou tarde de novo, Luara?

— Foi um acidente no caminho. Me desculpe, não vai acontecer outra vez.

— Espero mesmo que não. Cliente perdido é prejuízo para a empresa.

Luara apenas assentiu.

Trabalhava como atendente em uma clínica médica, um lugar onde aprendeu rapidamente que ninguém ensina como lidar com a dor humana.

Ao longo dos anos, ouviu gritos, desaforos, choros e ameaças. Algumas pessoas chegavam destruídas pela tristeza; outras, consumidas pela raiva.

Naquele dia, parecia que o mundo inteiro havia escolhido descarregar a própria frustração nela.

— Você é surda? Já falei mil vezes meu nome! — esbravejou uma mulher diante do balcão.

Mesmo tentando manter a calma, Luara sentia o peso daquele dia esmagando sua paciência.

Quando finalmente encerrou o expediente, já não restava energia alguma.

Ainda assim, foi para a academia e depois seguiu sua longa viagem de volta para casa.

Duas horas entre metrô e ônibus.

Duas horas pensando em como sobreviver à própria vida.

Quando conseguiu embarcar no ônibus, acreditou que pelo menos algo havia dado certo.

Mas estava errada.

Em uma das paradas, um homem entrou usando capuz e luvas. Sua presença espalhou um silêncio estranho entre os passageiros.

Luara sentiu um arrepio.

Então ele puxou uma arma.

— Isso é um assalto! Ninguém olha pra mim!

O desespero tomou conta do ônibus.

Celulares.
Carteiras.
Bolsas.

Todos obedeceram.

Quando chegou a vez de Luara, ela travou.

Não conseguiu entregar o celular.

Nesse instante, sirenes ecoaram do lado de fora.

O assaltante entrou em pânico.

Alguns passageiros tentaram imobilizá-lo.

Então vieram os tiros.

Três disparos.

E um deles atingiu Luara.


Ela não sentiu a bala.

No começo, sentiu apenas o corpo ficando leve.

Distante.

As vozes ao redor começaram a desaparecer lentamente, até tudo mergulhar no silêncio.


Quando abriu os olhos novamente, estava em sua cama.

Confusa, levantou-se devagar.

Havia algo errado.

Ou talvez... certo demais.

Naquela manhã, conseguiu pegar o ônibus no horário.

O motorista sorriu para ela.

— Bom dia, Luara!

Ela estranhou.

No trabalho, a chefe estava gentil.

Marise, sua colega, parecia ainda mais alegre que o normal.

E então aconteceu algo impossível.

— Hoje vocês vão sair mais cedo — anunciou a chefe. — Vocês trabalham muito e merecem descansar.

Luara ficou sem reação.

Aquilo não parecia real.

As pessoas sorriam.
Se ajudavam.
Conversavam com leveza.

Era como se o mundo inteiro tivesse desaprendido a violência.

Na hora do almoço, sentou-se diante da televisão do restaurante para assistir ao noticiário.

Foi então que ouviu a notícia.

— Após acordos históricos entre líderes mundiais, todos os conflitos armados chegaram ao fim. Não há mais guerras no planeta.

Luara congelou.

O garçom percebeu seu espanto e sorriu.

— Agora podemos viver em paz.

Ela saiu do restaurante sem conseguir respirar direito.

Precisava entender.

Precisava encontrar Deus.


Entrou na igreja quase correndo.

Ajoelhou-se diante da imagem de Jesus e começou a chorar.

— Senhor... o que está acontecendo?

Então ouviu uma voz suave:

— Eu apenas atendi ao seu pedido, filha.

Luara ergueu os olhos lentamente.

Jesus estava sentado ao lado dela.

Vestes simples.
Olhar sereno.
Uma presença impossível de explicar.

— Você pediu um mundo sem guerras — disse Ele. — E eu quis mostrar como seria.

Luara perdeu o fôlego.

— Então... eu morri?

— Não. Você está entre a vida e a morte. Seu corpo permanece em coma.

Ela começou a chorar ainda mais.

— Por que o Senhor não faz isso na Terra? Por que não acaba com toda a violência?

Jesus sorriu com tristeza.

— Porque eu dei à humanidade o livre-arbítrio. E amor verdadeiro não existe sem escolha.

O silêncio tomou conta da igreja.

— Mas ainda há esperança — continuou Ele. — Sempre haverá pessoas capazes de amar.

Luara abaixou a cabeça.

Naquele instante, compreendeu algo que nunca havia entendido antes:

O mundo talvez nunca fosse perfeito.

Mas pequenas atitudes ainda podiam impedir que ele se tornasse pior.

— E agora? — perguntou ela.

— A decisão é sua. Você pode ficar aqui... ou voltar.

Luara fechou os olhos.

Pensou na mãe.
Na própria vida.
Na dor.
Nas pessoas.
Na esperança que havia perdido.

Então respondeu:

— Eu quero voltar.





Quando abriu os olhos novamente, estava em um hospital.

Luzes fortes.
Aparelhos.
Dor.

Uma enfermeira começou a gritar:

— Doutor! Ela acordou!

Luara tentou falar, mas a garganta queimava.

— O que aconteceu comigo?

— Você levou um tiro — explicou a médica. — Ficou em coma por três meses.

Lágrimas escorreram pelo rosto de Luara.

Pouco depois, sua mãe entrou no quarto.

Abraçaram-se como se o mundo pudesse acabar outra vez.

E talvez pudesse.

Porque as guerras continuariam existindo.

No mundo.
Nas cidades.
Nas casas.
Dentro das pessoas.

Mas Luara finalmente compreendeu algo importante:

Ela não podia mudar o planeta inteiro.

Mas podia escolher não alimentar o ódio.

Podia escolher a paciência.
O amor.
A esperança.

E talvez fosse assim que as guerras realmente começassem a acabar.

Uma pessoa de cada vez.


Feito por Lucina Gonçalves do Carmo.

Revisão de texto ChatGPT.

16/05/2026

 

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