REFLEXÃO SOBRE OS “NOVOS TEMPOS”
“Quanto mais louco eu pareço, mais
normal eu sou.” Essa frase define muito bem os chamados “novos tempos”.
O que antigamente parecia errado
agora é considerado certo; e o que antes era visto como correto, hoje é tratado
como errado, ultrapassado ou excessivamente julgador. Uma verdadeira loucura.
Não que tudo nos dias atuais seja
ruim. Muitas coisas melhoraram. A velocidade da informação nos permite estar
sempre atualizados; novas profissões surgiram; pessoas conseguem alavancar suas
carreiras e até mesmo serem descobertas por meio das ferramentas tecnológicas.
Mas sempre existe um “mas”.
Também retrocedemos em muitos
aspectos, principalmente na forma como nos relacionamos. Estamos perdendo a
capacidade de respeitar os limites do próximo. Os índices de violência aumentam
constantemente, e isso é um fato facilmente comprovado por meio de pesquisas. E
não me refiro apenas aos países emergentes ou subdesenvolvidos; esse aumento
também ocorre em países desenvolvidos. É triste, mas é real.
Evoluímos na tecnologia, mas
involuímos nos relacionamentos interpessoais. A pergunta que não quer calar é:
por que isso acontece?
A resposta é complexa e nem todos
estão dispostos a aceitá-la. Ao longo do tempo, perdemos o verdadeiro sentido
de família.
A família é a base do aprendizado
sobre convivência. Se a sua base familiar é saudável, há grandes chances de que
seus relacionamentos também sejam. Tudo o que aprendemos dentro de casa levamos
para o mundo. Se o ambiente familiar é caótico, é esse caos que será refletido
na sociedade.
Agora imagine milhares de famílias
desestruturadas, muitas delas sem sequer perceber essa desestruturação. Quantas
pessoas estão levando seus conflitos para o mundo? E quantas estão
contribuindo, ainda que involuntariamente, para a desordem da sociedade?
Recentemente, perguntei ao ChatGPT
qual era a definição de família segundo o dicionário. A resposta foi:
“Segundo o dicionário, família é o
conjunto de pessoas ligadas por laços de parentesco, como pais, filhos, avós,
irmãos, tios e outros parentes, seja por sangue, casamento ou adoção.”
Confesso que não gostei dessa
definição. Ela me pareceu correta, mas sem alma. Uma definição técnica, sem
sentimento. E talvez seja justamente esse tipo de visão que ajude a explicar
por que estamos vivendo tempos tão confusos.
Não satisfeita, perguntei então
qual era a definição de família segundo a Bíblia. A resposta foi:
“Para a Bíblia e a tradição
católica, a família é muito mais do que um grupo de pessoas ligadas por sangue.
Ela é considerada uma instituição criada por Deus para ser um espaço de amor,
comunhão, educação na fé e crescimento humano e espiritual.”
Além disso:
“O Catecismo da Igreja Católica
chama a família de ‘Igreja doméstica’, porque é nela que a fé é vivida e
transmitida de geração em geração.”
Foi nesse momento que percebi o
quanto nos afastamos dessa compreensão de família — e continuamos nos afastando
cada vez mais.
As mídias e diversos grupos de
opinião nos dizem constantemente que devemos ter empatia e evitar julgamentos.
E eu concordo que a empatia é fundamental. Mas como aprender a praticá-la se
ela já não existe dentro de muitos lares?
O mais curioso é que muitos
daqueles que defendem esses valores também rejeitam a definição de família
apresentada pela Bíblia. Alegam que ela é ultrapassada ou preconceituosa.
Mas como o amor pode ser
preconceituoso?
A definição bíblica de família
fala, acima de tudo, sobre amor, respeito, responsabilidade, acolhimento e
compromisso com o próximo.
Na minha visão, os “novos tempos”
só serão verdadeiramente bons quando voltarmos a compreender e valorizar o
significado da família ensinado pela Bíblia.
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